quarta-feira, 10 de maio de 2017

Após incontáveis Guinness pela Irlanda era hora de seguir viagem à Londres. Como voamos Ryanair, chegamos em Gatwick, que está longe do centro da cidade se comparado com os aeroportos de Heatrow ou London City. Felizmente, há trem que leva ao centro e de lá há metrô para qualquer lugar da cidade. O metrô, de Londres, diga-se de passagem, apesar de razoavelmente velho é incrível, cobrindo toda a cidade. Não há melhor maneira de se locomover por Londres do que o "Tube", como se diz por lá. Além disso, o transporte é todo integrado. Com o seu Oyster Card carregado você pode usar os trens, metrôs, ônibus e até barcos do transporte público. Mas, voltando à chegada, há trens rápidos e normais que te levam de Gatwick ao centro. Sem saber, subimos no primeiro, que por sorte ou azar era um trem lento. Digo sorte porque os lentos são mais baratos, e azar por demorar mais.

Nos hospedamos em um albergue chamado No. 8 no bairro de Willisden. Se você olhar no mapa verá que o bairro é afastado. Mas como disse acima, o metrô conecta toda a cidade. Se você não for tão mão de vaca e não quiser economizar tanto em hospedagem - diferente de mim - vale a pena pagar um pouco mais e ficar em um lugar próximo do centro da cidade.


Com London Eye ao fundo

Londres é uma cidade não só gigante, mas também cheia de atrações. Conhecer Londres, plenamente, é uma tarefa homérica que demandaria algumas semanas, sem sombra de dúvidas. Estive por lá apenas cinco dias e a verdade é que me pareceu (muito) pouco. Londres é, provavelmente, a cidade mais cosmopolita que já vi, batendo até Nova Iorque. Você escuta todas as línguas imagináveis passeando pela cidade e vê toda essa sopa cultural refletida não só nos locais e turistas como também pelos comércios espalhados pela cidade. No bairro onde me alojei, por exemplo, havia muitas igrejas assembleias de Deus com cultos em português do Brasil.


Tower Bridge
Abadia de Westminster

No nosso primeiro dia pela cidade, começamos pelo mais tradicional. Descemos na estação de Westminster e aproveitamos para conferir o Big Ben, a roda gigante London Eye, o Parlamento e o Palácio e a Abadia de Westminster. Todos muito próximos. De lá caminhamos um pouco e fomos ao Palácio de Buckingham. Não assistimos a troca da guarda, porque já era de tarde. Para os interessados, acontece às 10h45 da manhã, mas é melhor chegar com pelo menos meia hora de antecipação para conseguir um bom lugar. De lá, seguimos ao Green Park, que é bem pequenininho. Descansamos um pouco e seguimos ao mais interessante e mais conhecido parque Londrino, o Hyde Park. Lugar de vários eventos. O Hyde park é bem grande, com lagos, jardins e áreas para pedalar e fazer exercício. Planejamos um itinerário pelo parque passando pelos lugares que achamos mais interessantes, incluindo a estátua de Peter Pan, Rose Garden e o memorial em homenagem à princesa Daiana. O melhor guia que encontrei com as atrações do parque foi esse site.


Na Harrod's

Próximo ao Hyde Park, fomos conhecer a famosa loja de departamentos Harrod's. A loja vende praticamente de tudo, das marcas mais famosas do mundo. O foco é o consumo de alto padrão. Como o dinheiro andava curto, aproveitei pra caminhar um pouco, já que a decoração é um show à parte.


O Big Ben ao fundo. Só faltou o icônico ônibus de dois andares

No dia seguinte, aproveitamos para ir de barco à Greenwich. Subimos no barco do transporte público desde Westminster e chegamos em mais ou menos quarenta minutos. No caminho, vimos muitos lugares conhecidos desde o rio Tâmisa, incluindo a sede do Financial Times e Tower Bridge. Greenwich tem várias atrações, como o Museu Máritimo e a Escola Naval. Não entramos em nenhum dos dois, mas visitamos outro lugar que adorei, o Observatório Real. A entrada custou £9.50. Apesar do nome observatório, hoje é um museu que conta a história dos primórdios do astronomia, chegando às grandes expedições marítimas mundo afora há alguns séculos atrás. O que eu mais gostei foi que o museu conta como os marinheiros, da época, mediam a latitude e longitude. A latitude era mais fácil de ser medida, já que "bastava" calcular o ângulo entre o barco e o sol, mas como medir a longitude? Muitos estudiosos dedicaram suas vidas para resolver esses problemas. Por mais esquisito que pareça, eu comecei a pensar quando há uma década atrás, o finado Hugo Chavéz decidiu atrasar o fuso horário da Venezuela em meia hora, em vez de usar múltiplos de uma hora. Segundo as palavras do presidente, eles não deveriam seguir a hora estabelecida pelo imperialismo yankee. Mas, reflexões à parte, o lugar é bem interessante.


Hyde Park
Vista do parque de Greenwich
Linha marcando a longitude 0° 0' 0''

Ainda em Greenwich, seguimos ao mercado, onde aproveitamos para comer e ao parque, onde aproveitamos para nos esticar um pouquinho pela grama. Infelizmente, a esticada não durou muito, já que a chuva chegou rapidinho.

No dia seguinte, aproveitamos para ir ao Museu Britânico. O legal é que os maiores museus de Londres são grátis! O Museu Britânico me pareceu tão grande quanto o Louvre, em Paris. Ou seja, não dá pra conhecer tudo em um dia. Em museus tão grandes, eu acabo não aproveitando porque depois de algumas horas já estou cansado demais para prestar atenção. A solução foi focar nas coleções que mais me interessaram. No Museu Britânico, acabei priorizandoas áreas Egípcia e Grega. Na Grega, inclusive, estão partes das esculturas do Parthenon. Ou seja, quem vai ao Parthenon em Atenas não pode vê-las, já que metade delas está em Londres e a outra metade em um museu na Grécia. O museu usa o argumento de que se essas esculturas ficassem na Grécia, elas não seriam tão bem conservadas e poderiam ser, inclusive, vandalizadas ou roubadas.


Parthenon no Museu Britânico
Ainda no Observatório Real em Greenwich

Outro museu que adoramos (e também tem entrada grátis) é o Tate, de arte moderna. Apesar de não ser um fã de arte moderna, fui empurrado pela minha esposa que já o conhecia e tenho que dizer que o Tate me surpreendeu. Tinha bastante coisa de Andy Warhol, por exemplo, e também de todo o mundo, inclusive, brasileira. A própria arquitetura do museu é um espetáculo à parte. Também é impossível vê-lo em um dia.


Pelo Museu Tate
Aproveitamos também para conhecer alguns bairros conhecidos de Londres. Fomos a Notting Hill, passando pela rua e pelo mercado Portobello. O lugar é bem bonito com suas casinhas coloridas, mas a quantidade de turistas tornava quase impossível caminhar. Sugiro ir durante o meio da semana. Também fomos a Brick Lane, que é um bairro mais alternativo, cheio de imigrantes asiáticos, graffitis e lojas com uma pegada mais punk. Vale a pena a caminhada. Por lá encontrei, até, uma barraquinha que vendia feijoada e coxinha, as duas comidas brasileiras que mas tenho sentido falta. Aproveitei pra almoçar e bater papo com o vendedor, que me contou a história da vida dele. Ainda em Brick Lane, encontramos uns brechós que vendiam roupas estilo segunda guerra e anos 60 e 70. Outro bairro parecido, porém ainda mais alternativo, é Camden Town, que ficou conhecido pela artista Amy Winehouse, que veio de lá. Caminhando, você pode ver muitas pessoas que se vestem com o mesmo estilo dela.


Plataforma 9 3/4 em King's Cross
Rua Portobello e uma infinidade de turistas

Aproveitamos nosso último dia em Londres passeando por alguns lugares que não conhecíamos como Trafalgar Square e King's Cross Station. Essa última apenas pra tirar foto na plataforma 9 3/4! E para quem aproveita pra fazer compras, Londres é um prato cheio. Pelo que conheci, de longe o melhor lugar da Europa. A loja que mais gostei em matéria de preços, foi a Primark, que merece aqui uma menção honrosa.


Dedão levantado para Londres

Adorei Londres e tenho muita vontade de voltar para conhecer os lugares que não fui, assim como outros lugares pela Inglaterra e Esócia. Fica pra próxima!

Dublin, Belfast e Londres - Parte 2 Final

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Sempre tive vontade de conhecer a Inglaterra. Já havia escutado tanta gente dizer que Londres era uma das cidade mais legais do mundo, inclusive minha esposa, que eu tive que conferir. Eu e minha esposa aproveitamos um folga e decidimos ir desde Copenhage. A ideia era também ir à Dublin, aproveitando a proximidade entre as duas cidades.

Chegamos à Dublin debaixo da chuva. É até meio clichê, pois a cidade, assim como Londres, é conhecida por chover com muita frequência. Raramente tenho dor de cabeça na imigração, mas em Dublin, apesar de não ter sido complicado, tive de responder mais perguntas que o normal. Imagino que seja pela incrível quantidade de brasileiros que há na cidade. O transporte público é bem eficiente e, apesar de não haver trem que vai do aeroporto ao centro, há um ônibus chamado Airlink que faz esse itinerário. A passagem custa €6 ida ou €10 ida-e-volta.


Rocio em frente ao The Temple Bar
Uma Guinness no The Temple Bar

A nossa ideia era ficar em algum albergue no bairro The Temple Bar, onde estão muitas atrações da cidade. Não se confunda, há um bar e um bairro chamados The Temple Bar. As maiores atrações da cidade, diga-se de passagem, são os pubs, que são um espetáculo à parte. A cerveja tradicional da Irlanda é a Guinness, e quanto a isso não há competição já que todos os bares têm a Guinness como carro-chefe. O diferencial de cada pub é a música ao vivo. Praticamente todos têm música ao vivo, que é sempre muita animada. Há bares que são praticamente só para turistas e também os para locais. No bairro The Temple Bar é quase impossível entrar em um bar com mais locais do que turistas. Além de bebida, a maioria dos pubs também oferece comida.

Chegamos em um fim de semana combinado com feriado e as ruas de The Temple Bar eram uma incrível festa. Muitas despedidas de solteiro, gente jogada pelas esquinas após haver tomado um pouco a mais e por aí vai. Ficamos no albergue Oliver St. John Gogarty. A localização era muito boa, mas me surpreendi com os preços. A hospedagem nos pareceu mais cara em Dublin do que em Londres. Algo importante para saber é que apesar da Irlanda usar a mesma moeda que a União Européia, eles utilizam a tomada da Inglaterra!

Passamos o primeiro dia percorrendo os pubs da cidade e tomando, ao menos, uma Guinness em cada um. Os que mais gostei foram The Temple Bar, The Bank e The Church. Duas dicas interessantes, os preços nos pubs variam de acordo com a hora e há que chegar cedo se quiser uma mesa. Os pubs estão sempre bem cheios após as 18h.


Estátua de Molly Malone. Diz a lenda que quem toca seus seios volta à Dublin!

No nosso segundo dia pela cidade, fizemos o Free Walking Tour, que é aquele passeio com guia turístico que você deixa uma gorjeta para o guia depois. O passeio nos levou a vários lugares conhecidos no lado Sul da cidade, como o imperdível The Temple Bar, Dublin Castle e seu jardim bem verde, Christchurch Cathedral e St. Patrick’s Cathedral. Terminamos o passeio em Trinity College, que é "aparentemente" onde está a harpa que é o símbolo do país. Digo aparentemente porque uma investigação, usando Carbono 14, mostrou que a data de fabricação da harpa exposta não condiz com a história do país. Outra história interessante é que a Guinness e a Irlanda têm a harpa como símbolo. Mas, a harpa da cerveja foi registrada antes, então, para evitar problemas, a Irlanda usa a mesma harpa girada 180°. Ficamos com vontade de entrar na biblioteca de Trinity College, mas o preço pareceu bem salgado. Varia de acordo com a hora, mas custava um pouco mais de €10. Há desconto para estudante.


Entrada da Guinness Storehouse
Uma das exposições em Guinness Storehouse

Passeamos também por St. Stephen Green Park. Aproveitamos para descansar pelos gramados e conferir as estátuas espalhadas pelo parque. Em seguida  fomos à Guinness Storehouse. Havíamos comprado a entrada on-line antecipada, mais barata do que na hora. Os preços começam em €14, se você animar a visitá-los às 9h. Durante a tarde sai um pouco mais caro. A visita foi normal, de nenhuma maneira imperdível. Acabei indo porque é minha cerveja preferida. No final do passeio, você ganha uma Guinness no bar que fica na cobertura do lugar e passa por uma loja que vende tudo que você imaginar da Guinness: porta-copos, roupa, quadros, chaveiro e tudo mais.


Castelo de Dublin
Estátua de James Joyce em St. Stephen Green Park
Em St. Stephen Green Park

Desde Dublin, há muitos passeios próximos para quem quiser explorar as cercanias. Tinha vontade de conhecer Cliffs of Morhen, que é um desfiladeiro que me pareceu bem interessante, mas acabamos indo à Belfast, na Irlanda do Norte. Decidimos não comprar nenhum pacote, mas fazer a viagem nós mesmos. Financeiramente, praticamente, não há diferença entre as duas opções, mas queríamos estar livres para fazer o que quiséssemos em Belfast. A vantagem do pacote é que o ônibus de turismo pára em alguns lugares interessantes pelo caminho. Compramos a passagem de ida-e-volta na rodoviária de Dublin e em pouco mais de duas horas estávamos em Belfast. Não existe nenhum controle entre esses dois países e o único sinal que te lembra que está passando pela fronteira são placas que avisam que não há controle na fronteira.

Chegamos a tempo de fazer o Free Walking Tour e assim começamos o passeio por Belfast. O passeio foi bem interessante, mas tinha uma pegada completamente distinta do de Dublin. O de Dublin nos levou a lugares turísticos enquanto conversávamos à respeito das personalidades que nasceram por lá e da divertida cultura de pubs. Já o passeio de Belfast focou nos conflitos que aconteceram na Irlanda do Norte no final do século XX, chamados The Troubles. Obviamente, também passamos por lugares bem legais, como: City Hall, Albert Clock (que é um relógio com uma inclinação de te faz lembrar a torre de Pisa) e a Catedral de Belfast. Mas, a maior parte das conversas com o guia se resumiam aos conflitos.

Pra quem não conhece bem, a Irlanda do Norte, apesar de ficar na mesma ilha que a Irlanda, é um território que pertence à Inglaterra e de maioria protestante, enquanto a Irlanda é um país independente e de maioria católica. The Troubles foram disputas armadas entre uma minoria católica que queria fazer parte da Irlanda e os protestantes que queriam seguir pertencendo à Inglaterra. O problema subiu a níveis inimagináveis e antes da assinatura de um acordo de paz, em 1998, nessa revolta, que durou mais ou menos 30 anos, Belfast era alvo de bombas todas as semanas. Durante alguns períodos, diariamente. O guia, que era um senhor de um pouco mais de 60 anos, nos dizia o tempo todo que, durante essa época, ele nunca imaginou que algumas décadas depois estaria conduzindo grupos de turistas por essa mesma Belfast.


Arte urbana em Belfast contando a história da cidade
Muro da paz, que separava os bairros católicos e protestantes. Encontrei um "Fora Temer" por lá

Hoje, Belfast é muito segura e apesar de termos passado apenas um dia por lá, eu animaria ficar um tempo mais. Em comparação com Dublin, os preços são muito mais em conta. Alimentação e bebidas me pareceram ao menos 30% mais baratos. Como eles pertencem à Inglaterra, sua moeda é a Libra e não o Euro. Apesar da moeda ser a mesma da Inglaterra, as notas têm desenhos diferentes, o que fez alguns comerciantes na Inglaterra rejeitarem o bilhete.


Monumento aos mortos do Titanic, próximo ao City Hall
Albert Clock

A história de Belfast é bem ligada também à indústria naval. O Titanic, inclusive, foi fabricado por lá. Existem alguns monumentos pela cidade lembrando essa parte. A indústria naval ainda existe, mas hoje é bem menor e ligada à indústria petroleira.


Mostras de que o conflito não ficou tão para trás

É possível ainda notar alguns sinais do conflito pela cidade. Um que me pareceu bem visível são placas proibindo pessoas com camisetas de futebol entrarem em certos estabelecimentos. A razão é que os times representam uma ou outra religião e consequentemente um ou outro lado do conflito. Mais um sinal do conflito, e que também é legal para quem gosta de história e arte de rua, é ver o muro da paz. Na verdade, são quilômetros de muros espalhados pela cidade. No passado, separavam os bairros católicos dos protestantes. Hoje, é apenas um resquício de um passado, complicado, que agora está coberto com grafitti.

Algo bem interessante é imaginar o que acontecerá com essa região, agora que o Reino Unido está saindo da União Europeia. A Irlanda do Norte, assim como a Escócia, queria pertencer ao grupo. A diferença é que, ao contrário da Escócia, a Irlanda do Norte tem uma fronteira com a União Europeia. Muitos estão preocupados que um controle de fronteira entre os dois países ressuscite memórias desse passado tão sombrio.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Acordamos e seguimos viagem em direção ao vulcão Krafla para fazer uma trilha. No caminho, passamos pela estação geradora de energia geotermal. Durante a subida, havia uma van na nossa frente, que não conseguiu subir devido à neve e ao gelo e começou a descer, lentamente, vindo em nossa direção. Fiquei um pouco preocupado e comecei a descer em marcha ré e tentando sair da direção. O motorista, rapidamente, resolveu o problema, mas acabamos ficando preocupados. Decidimos estacionar o carro em um lugar próximo e terminar a subida caminhando.


Trilha para o vulcão Hverfell, passando por Dimmuborgir


Chegando ao cume do Krafla, havia tanta neve que as trilhas estavam fechadas. Ficamos decepcionados, mas fazer o quê? Enquanto curtíamos a vista da cratera do vulcão, chegaram umas pessoas - um pouco mais preparadas que nós - trazendo seus skis. Aproveitamos para conferi-las esquiar dentro da cratera do vulcão. Surreal!

Após assisti-las, voltamos ao lago Myvatn e fizemos algumas trilhas pela região. A mais legal foi ao vulcão Hverfell. Há duas trilhas que levam ao seu cume. Uma fácil - com menos inclinação, porém mais longa - e outra difícil. Escolhemos a difícil e o último trecho foi, realmente, pesado. A inclinação era bem pronunciada  e nos custou um pouco. Desde o cume, vimos a cratera do vulcão e também toda a região de Dimmuborgir. De acordo com as lendas Islandesas, lá vivem os treze irmãos que encarnam a figura do Papai Noel na cultura islandesa. Eles são bem bagunceiros e filhos de dois trolls. Durante o natal, as crianças colocam os sapatos na janela. Dentro dos sapatos dos que se comportam bem estão presentes, já dos que se comportam mal há uma batata! E alguns dias antes do natal, os irmãos vão nadar nas águas termais de Myvatn Nature Baths.

Vulcão Krafla

Myvatn

No cume do Hverfell

No dia seguinte, acordamos cedo, pois teríamos de dirigir muito. Algo que eu não mencionei é que passamos por várias locações onde foi filmada a série Game of Thrones, inclusive o vulcão Hverfell, do dia anterior. A próxima locação que conferimos, foi a caverna onde Jon Snow e Ygritte têm uma tórrida cena de amor, chamada Grjotagja. A caverna é bem pequena e fazia bastante frio, -6° C. Mas, a água lá dentro é termal e está a 46° C. Depois de passar pelo local reassistí à cena no Youtube  e vi que o lado de fora da caverna era exatamente igual, mas o lado de dentro foi bem alterado na série.

Nosso roteiro pelo Norte da Islândia

Nosso roteiro pelo Norte e Oeste da Islândia

Seguimos viagem e paramos em Godafoss. Como já deu para notar, Foss é cachoeira em Islandês, mas Godafoss não é a maior delas. O nome vem da época da conversão dos islandeses ao cristianismo, quando as estátuas pagãs eram jogadas nessa cachoeira. Bem impressionante o visual da cachoeira com muita neve.


Cachoeira Godafoss

Em seguida, paramos em Glaumbær, que é um museu com as típicas casinhas com relva no telhado. O museu era, muito bem, recomendado pelo Trip Advisor para entender como os islandeses viviam antigamente antes, da calefação à gás e outras modernidades. Porém, ao contrário do que dizia o site, o museu estava fechado para o dia. Então, apenas vimos as casas do lado de fora.


Glaumbær

A próxima parada foi na linda Akureyri. Achei até engraçada, pois essa é a segunda maior cidade da Islândia com uma população de 18 mil habitantes (rs!). Os outdoors diziam "Akureyri - a capital do Norte da Islândia". A cidade era bem bonita e aproveitamos para caminhar um pouco e tirar algumas fotos.


Igreja de Akureyri

O destino final do dia foi Borgarnes. A cidade também é linda, com casas coloridas e à beira-mar. Aproveitamos para conhecer The Settlement Center, atração número #1 no Trip Advisor. O museu era bem legal e custou 2500 coroas islandesas (U$ 24) por pessoa. Havia duas exposições, uma sobre a colonização da Islândia e outra das sagas, que são as epopeias vividas pelos heróis islandeses.

No albergue em que ficamos, Englendingavík, havia para nossa surpresa uma jacuzzi e relaxamos um pouco por lá até por volta das 21h. Todos os dias, religiosamente, eu pesquisava, usando vários apps distintos, as chances de ver a aurora boreal durante a noite. Praticamente em todas as noites anteriores, as chances eram quase zero, já que estava sempre nevando ou chovendo. Para ver a aurora, além de altas latitudes é necessário céu limpo, sem nuvens, já que a atividade solar está acima das nuvens. Também é necessários se afastar de qualquer poluição luminosa, por isso o mais longe de cidades, melhor. Essa noite, deveríamos ter céu limpo. Então, depois de relaxar na jacuzzi, decidimos dirigir até uma região com boas chances de vê-la. Recomendo usar o site Icelandic Met Office.

Dirigimos cerca de 40 km, procurando um lugar (bem) afastado e sem nuvens. Por mais estranho que pareça, a noite escurecia bem mais tarde do que os aplicativos de tempo diziam. Decidimos retornar por volta da meia noite, depois de quase 2h esperando. Porém, durante a metade do caminho de volta, a Rocio a viu. Estacionei o carro em um lugar longe da estrada principal e, nesse momento, vi o fenômeno natural mais incrível da minha vida! Eu já tinha assistido à aurora no Norte da Finlândia, mas essa foi muito mais forte. Vimos a aurora boreal nas cores verde, azul, roxa e branca. Em um momento, ela ficou gigante e branca e começou a dançar. Minha irmã é uma ótima fotógrafa, além de ter uma boa câmera, e tirou várias fotos. De qualquer forma, mesmo assim, eu digo que as fotos não fazem jus ao que vimos. Realmente, inacreditável! Só vendo para entender a nossa alegria, gritando como crianças no meio do nada!


A incrível aurora
Outra foto incrível da aurora

Dormimos após passar por essa experiência incrível e despertamos para o nosso último dia completo pela Islândia. Se tivéssemos um dia a mais, eu gostaria ter ido à região mais Noroeste da Islândia, chamada Vestfirðir (Fiordes do Oeste), que como o próprio nome diz, tem vários fiordes. Mas, devido ao tempo curto e por já ter visto os fiordes no Leste do país, fomos à península de SnæfellsnesPassamos por vários lugares interessantes, como cachoeiras congeladas e fizemos algumas trilhas. Os lugares que mais gostei, foram o farol de Stykkishólmur e a trilha de 2,5 km entre Hellnar e Arnarstapi, com muitos despenhadeiros à beira mar. Tentamos ir à geleira Snæfellsjökull, mas a estrada estava fechada. Essa geleira é conhecida, pois foi mencionada por Julio Verne no livro A Viagem ao Centro da Terra. Entramos, brevemente, em Snaefellsjoekull National Park, mas já era hora de seguir viagem à Reykjavík, já que tínhamos o voo de volta, no dia seguinte, bem cedinho.


Igreja em Saudárkrokur
Paisagem da trilha entre Hellnar e Arnarstapi

Essa viagem pela Islândia foi incrível e adorei o país. Sem dúvida irei voltar! A natureza é impressionante e eu que adoro tudo relativo a frio e neve, me senti no paraíso. Até a próxima, Islândia!

Islândia - Final

domingo, 16 de abril de 2017

Após passar pelo Cânion Fjaðrárgljúfur, seguimos ao hotel. O problema que tivemos ao fazer a próxima reserva é que o plano para os dias seguintes era conhecer o parque Vatnajökull, porém não há muitas hospedagens nas redondezas, o que acaba subindo os preços. Acabamos ficando na Skálafell Guesthouse. A pousada era bem legal, com cabanas de madeira e café da manhã incluído. O único problema era que estava a mais ou menos 90 km depois do parque, com isso, no dia seguinte teríamos de dirigir toda essa distância voltando! Mas, as opções mais próximas custavam uma fortuna. O legal era que o caminho tinha paisagens incríveis, cheias de geleiras.

Na geleira Vatnajökull

Acordamos cedo e fomos ao parque Vatnajökull. Há um centro de informações na entrada, com mapas e informações das trilhas. A trilha mais longa, S3, estava fechada nessa época do ano. Começamos pela trilha S1, que nos levava à geleira com o mesmo nome do parque. Vatnajökull é a maior geleira da Europa. Aproveitamos para caminhar um pouco pela geleira. Não tínhamos capacete e nem cravos, apenas as botas de caminhada mesmo, o que tornava a atividade (um pouco) perigosa. Por conta disso, percorremos moderadamente. Foi bem legal, rimos pra caramba, tiramos muitas fotos e aproveitamos pra fazer um lanche sentados na geleira!


Mapa do Leste da viagem

Fizemos também a trilha S2, um pouco mais longa. Passando por algumas cachoeiras, inclusive uma bem legal com formato de órgão de igreja. Gostaríamos de ter feito os passeios nas cavernas de gelo, mas, infelizmente, também não acontecem nessa época do ano e ficou para a próxima.


Cachoeira da trilha S2 em Vatnajökull

Durante o retorno, passamos por Jökulsárlón, que é um pequeno lago formado pelo degelo de uma língua da geleira. O lugar é incrível com o lago (que não é exatamente um lago) se conectando ao mar. De lá, dá para ver os icebergs indo ao mar e muitas focas nadando. Tiramos fotos e mais fotos e ficamos um bom tempo, apenas, apreciando esse lugar tão especial!


Icebergs que chegaram à praia em Jökursárlón
Icebergs em Jökursárlón

Depois de outro dia incrível pela Islândia, voltamos ao hotel. A noite pareceu menos nublada do que todas as anteriores. Então, eu e a Rocio, decidimos caçar a Aurora Boreal. A Marina e a Gabriela estavam bem cansadas e acabaram ficando. Um dos apps que eu usava dizia que, aparentemente, o céu deveria estar limpo a 30 km do hotel. O problema é que quanto mais dirigíamos, mais nevava. Após poucos quilômetros, decidimos voltar, pois dirigir durante a madrugada e nevando - como estava - não nos pareceu uma boa ideia.

No dia seguinte, continuou nevando uma neve, bem fina, e aproveitamos para fazer outra trilha que também está na área do parque Vatnajökull, mas que começava exatamente atrás do hotel. Caminhamos, mais ou menos, três horas pela trilha que nos levou a outra língua da mesma geleira. Acabei subindo e caminhando um pouquinho pela geleira, as meninas não animaram e aproveitaram para tirar fotos e descansar.


Geleira atrás de Skálafell Guesthouse

Após a trilha, entramos, outra vez, no carro e seguimos à belíssima cidade de Höfn. O termo cidade é na verdade uma hipérbole, pois é um mini povoado com dois mil habitantes. Aproveitamos para ir ao supermercado estocar mais comida e também caminhar. A praça principal da cidade tem uma vista de tirar o fôlego, para três línguas da geleira Vatnajökull. Qual outra cidade que você conhece que desde a praça principal dá pra admirar uma geleira gigantesca? Impressionante!


Em Höfn

Em seguida, fomos até o destino final do dia, a cidade de Seydisfjordur, com 600 habitantes, no meio de um fiorde incrível com vista de tirar o fôlego. O caminho até lá passava pelas montanhas. Surpreendentemente, a estrada estava aberta apesar da imensa quantidade de neve. Fiquei imaginando a quantidade de neve necessária para que a feche. Durante o caminho, a temperatura baixou. Enquanto subíamos, chegou a -7º C com sensação, consideravelmente, mais baixa. Nesse momento, entendi porque é obrigatório pneu para neve e tração nas quatro rodas. Sendo que, durante os próximos dias, teríamos quase sempre a tração ligada. Passamos o final da tarde no vilarejo e o caminhamos todo em, mais ou menos, meia hora. O mais surpreendente é que apesar da minúscula população, havia muitos ateliês de arte e escolas de música.


Pitoresca cidade de Seydisfjordur

Nevou a noite toda, o que nos deixou preocupados para atravessar a montanha durante a volta no dia seguinte. Imagino que as máquinas devem limpar a pista, com certa frequência, porque passamos sem problemas. O próximo objetivo era chegar às cachoeiras Selfoss e Detifoss. Dirigimos até a entrada e depois fizemos duas trilhas bem curtas para chegar até as cachoeiras. Toda a neve e gelo acabaram por criar um clima ainda mais legal ao lugar. Acabamos lanchando por lá mesmo, tirando a neve das mesas e comendo nosso, quase diário, sanduíche.


Selfoss
Detifoss

Após visitar as cachoeiras, seguimos até nosso destino final, a cidade de Reykjahlid. No caminho, ainda, passamos por outros gêiseres, que estão a poucos quilômetros da cidade. Nosso plano, era fazer o check-in em nossa pousada, Eldá Guesthouse, e seguir às águas termais de Myvatn. Nós não havíamos ido às águas termais mais conhecidas da Islândia - Blue Lagoon, próxima à Reykjavík - justamente para ir à Myvatn Nature Baths. Imagino que Blue Lagoon seja melhor, mas Myvatn é bem mais barata, cerca de metade do preço. Custou 3800 coroas islandesas (U$35) por pessoa. Ficamos de bobeira na água por umas três horas. Do lado de fora, fazia zero grau, o que transformava qualquer caminhada, de uma piscina para a outra, em aventura!



Ice Sabers
Myvatn Nature Baths

Terminamos a noite comendo uma iguaria que encontramos no supermercado local, carne de baleia defumada! Hahahahaha! Coisas da Islândia!

Islândia - Parte 3 Final - Norte com direito à aurora boreal

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